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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Comissão do Senado uruguaio aprova legalização de produção e venda de maconha

A Comissão de Saúde do Senado do Uruguai aprovou na noite de quinta-feira (26/11) o projeto de legalização da compra e venda e cultivo de maconha que tinha sido aprovado anteriormente na Câmara dos Deputados. Agora, o projeto segue para o plenário, onde deverá ser votado na semana que vem.
Cartaz da Ultima Marcha
O presidente da Comissão de Saúde, o senador Alfredo Solari, do opositor Partido Colorado, disse à rádio El Espectador que a aprovação do projeto -possível pelos votos da governista Frente Ampla (FA) – deixa “um sabor muito amargo pela irresponsabilidade com que foi conduzido” pelo bloco governamental. Segundo ele, é um projeto de “quarenta e tantos artigos onde todos eles, praticamente, têm observações, algumas não tão importantes, mas outras muito, com casos de inconstitucionalidade”, afirmou.
“No entanto, [o projeto] foi votado assim como veio da Câmara dos Deputados para que não tivesse que voltar a esta casa porque nela não estão assegurados os votos para que pudesse passar”, acrescentou.
O senador Robert Conde, um dos integrantes do FA na Comissão de Saúde, disse à Agência Efe que o plano governamental “não tem nenhuma inconstitucionalidade, somente um artigo onde se coloca a necessidade de que a educação sobre drogas seja incorporada à educação secundária pública”.
“Entende-se que pode estar invadindo a autonomia das autoridades da educação”, mas estas “podem tomar o espírito do artigo e aplicá-lo como elas entenderem melhor dentro do campo de sua autonomia”, argumentou.
A oposição também critica a criação de um Instituto de Regulação da Cannabis (IRCA), com funções de supervisão, e a nomeação de um titular. O órgão será responsável por emitir licenças e controlar a produção e a distribuição da maconha.
Os consumidores registrados poderão comprar maconha em farmácias especialmente habilitadas, até um máximo de 40 gramas por mês, ou cultivar em casa até seis plantas que produzam não mais de 480 gramas por colheita.
A Constituição uruguaia, porém, impede a criação de cargos públicos um ano antes de eleições. As próximas estão previstas para outubro de 2014. De acordo com o senador governista, o instituto é “público, mas, de direito privado” e não se encaixaria nesta norma.
A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), da ONU, advertiu na semana passada ao Uruguai que a lei sobre a maconha viola os tratados internacionais assinados pelo país.

sábado, 23 de novembro de 2013

Nova enquete discute descriminalização de drogas para consumo próprio

Na Câmara, também tramitam propostas que aumentam o rigor no combate às drogas.



A Câmara promove, a partir desta sexta-feira (22), uma enquete sobre a descriminalização das drogas. O embate entre contrários e favoráveis à medida é longo e várias propostas em tramitação na Câmara e no Senado tratam do assunto.
A população também tem participado da discussão. No segundo semestre de 2012, o portal e-Democracia colocou em debate a descriminalização do porte e do plantio de drogas para uso próprio. A proposta havia sido apresentada à Câmara por representantes da campanha “Lei de Drogas: é preciso mudar". O movimento deverá recolher assinaturas para apresentar formalmente, neste ano, a proposta ao Congresso.
No Senado, também tramita um projeto (PLS 236/12) de reforma do Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40), elaborado por uma comissão de juristas, que descriminaliza o porte de drogas para uso pessoal e o plantio de plantas destinadas à preparação de drogas para consumo próprio. Nesses casos, a quantidade deverá ser suficiente para cinco dias de consumo.
A comissão de senadores que analisa a proposta fechou recentemente uma agenda de audiências públicas, para reabrir a discussão com a sociedade.



Veja entrevista, à TV Câmara, do deputado Osmar Terra sobre política antidrogas.
















Limite

Na Câmara, um anteprojeto de lei em análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) também ameniza a situação de usuários de drogas pegos pela polícia. A proposta, elaborada pela Subcomissão de Crimes e Penas, altera a Lei Antidrogas (11.343/06) e estabelece uma diferenciação clara entre usuários e traficantes. De acordo com a proposta, será considerado usuário quem portar quantidade de entorpecentes suficiente para até cinco dias de consumo próprio.
Atualmente, para determinar se a droga destina-se a consumo pessoal, o juiz deve considerar a natureza e a quantidade da substância apreendida e as circunstâncias da apreensão, além da conduta e dos antecedentes da pessoa que estiver com o entorpecente.
A matéria tem no relator, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), um de seus principais defensores. Na avaliação de Molon, falta hoje um critério objetivo para fazer a distinção. “Há usuários que são maltratados por policiais como se fossem traficantes. Ao mesmo tempo, há traficantes se beneficiando da lei para serem tratados como se fossem usuários”, afirma.
A confusão, segundo o defensor público da Bahia Daniel Nicory, ocorre porque a lei atual, apesar de pretender abrandar a situação do usuário, prevê uma estrutura similar para o tipo penal do porte de drogas para o uso e para o tráfico. O resultado, diz, foi o aumento do número de presos por tráfico.
“A maioria dos presos por tráfico é de indivíduos desarmados, réus primários e com quantidade pequena de drogas. Quem está sendo preso é quem não tem relação com o tráfico violento. As pessoas estão sendo enquadradas incorretamente como traficantes”, observa o defensor.
Contrário à proposta, o deputado Marcos Rogério (PDT-RO), defende que o consumo de drogas não seja despenalizado, nem descriminalizado. A droga, diz ele, nasce do crime e não termina na legalidade.
O problema das drogas, na avaliação do parlamentar de Rondônia, não é apenas do usuário, mas de toda a sociedade brasileira. “O pequeno traficante alimenta alguém que começa a cometer crimes dentro de sua casa e se transforma, depois, em um grande criminoso”, acredita.

Mais rigor

Na Câmara, tramitam ainda propostas que estabelecem mais rigor no combate às drogas. O Projeto de Lei 7663/10, do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), aprovado em comissão especial no fim de 2012 juntamente com outras propostas, prevê a internação involuntária de dependentes químicos por até seis meses. Terra, que é médico, argumenta que mais do que solução para as cracolândias das grandes cidades, sua intenção com o projeto é o resgate pleno do paciente.
Além da internação involuntária, o PL 7663/10 aumenta a pena para os traficantes; divide a competência das ações antidrogas entre União, estados e municípios; obriga a oferta de vagas de trabalho para ex-usuários em todos os contratos fechados com recursos públicos; e traz um conjunto de regras gerais para a avaliação e o acompanhamento da gestão das políticas públicas sobre drogas.
A proposta está pronta para a pauta do Plenário.

Reportagem – Noéli Nobre
Com informações da Agência Senado
Edição – Marcelo Westphalem

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 27 de Novembro Dia Nacional para Legalização da Cannabis Medicinal

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Canabinoides podem ajudar no tratamento e controle da obesidade


obesity
Mantido pelo governo norte-americano, o National Institutes of Health (NIH) é não apenas um dos principais centros de pesquisas médicas do mundo, mas também uma fonte quase inesgotável de informações sobre canábis medicinal. Dessa vez, a boa nova publicada no site da entidade interessa especialmente aos gordinhos: segundo um novo estudoconduzido por pesquisadores chineses, apesar de toda larica, a ativação dos receptores de canabinoides pode ajudar a controlar o peso e tratar a obesidade.
De acordo com a pesquisa,  que foi realizada com canabinoides sintéticos, “além da eficácia significativa na perda de peso em ratos, o composto 4 [um agonista do receptor de canabinóide] está atualmente em desenvolvimento para o tratamento da obesidade e da síndrome metabólica relacionada”.
Embora a pesquisa não tenha sido feita com maconha natural, é possível presumir que, no caso da erva in natura, os efeitos sejam mais eficazes,como já apontam outros estudos divulgados pelo NIH. 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Porto Rico descriminaliza a maconha

Uma nova forma de pensar em política de drogas está se espalhando pelo mundo e  o PLC 37/2013 (antigo PL 7663/10) se torna cada vez mais distante. Se o Brasil aprovar este projeto absurdo, será o único ir contra a tendência mundial de regulamentar a maconha.
O Senado de Porto Rico descriminalizou nesta quarta-feira a posse de maconha para consumo próprio, o que significa que quem portar até 14 gramas da planta estará cometendo uma infração civil e deixará de ser penalizado com três anos de prisão.
Após uma longa sessão legislativa e por meio de uma votação oral, a câmara alta da ilha caribenha abriu caminho para uma proposta que, se for aprovada agora pela câmara baixa e assinada pelo governador, poderia entrar em vigor no início de 2014.
Embora o projeto inicial fosse mais ambicioso e buscava a descriminalização da posse de 28 gramas, o Senado finalmente decidiu hoje que apenas até a metade dessa quantidade será considerada infração, o que poderia resultar em uma multa máxima de US$ 100.
Se a quantidade está entre 14 e 28 gramas o castigo máximo poderá ser de US$ 500 e seis meses de prisão, e a partir dessa quantidade se manterão as penas atuais de três anos de prisão e multa de até US$ 5 mil.
Em caso de reincidência a pena obrigatória de reclusão é de seis anos e quando é uma ofensa cometida em uma escola ou instituição o castigo se duplica.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sobre a matéria de capa da Veja dessa semana, por Rebeca Lerer:


A revista se esforça para alimentar o estigma e o moralismo contra o uso da maconha, mas é obrigada a reconhecer que as coisas estão mudando. se mostra mais favorável ao modelo norte-americano de regulação e critica a ingerência estatal da proposta uruguaia. 

O importante é que reconheceu o óbvio (a proibição está acabando) e as premissas de reduzir o poder do crime organizado e permitir o acesso ao medicamento. Imagino a reação dos leitores conservadores da Veja, que um ano atrás sofreram lavagem cerebral com uma matéria de capa sem base científica e puramente ideológica que demonizava a maconha. Que dessa confusão se inicie um debate baseado na verdade e na redução de danos. #legaliza

 por Rebeca Lerer

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Imposto Social da Maconha no Colorado!


Um ano após a votação do plebiscito que aprovou a produção, venda e o consumo de maconha para fins recreativos o estado do Colorado definiu as diretrizes de tributação do negócio canábico.
Vai ser assim: a venda do produtor para o comerciante será taxada em 15%. Este, na hora de realizar a venda para o consumidor final vai cobrar outros 10% de impostos. Considerando o preço cobrado em drogas lícitas aqui no Brasil (tabaco e bebidas alcoólicas) a taxa de 25% é bem pequena.
A tributação ganha uma importância maior quando descobrimos como o dinheiro arrecadado com os impostos da maconha será gasto. O governo do Colorado vai destinar os recursos ao financiamento de escolas públicas, a programas de atendimento a dependentes químicos e a financiar a regulamentação da maconha no Estado.
Deve ser por isso que a legalização incomoda muita gente. No tráfico, o dinheiro da venda de maconha serve para compra de armas, pagamento de propina aos agentes da lei e enriquecimento ilícitos de poucos. Com a legalização toda sociedade (inclusive os não usuários) é beneficiada;
E ai, Osmar Terra. Vai lá tentar convencer o governo e o povo do Colorado que a guerra é a melhor solução?