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quarta-feira, 19 de março de 2014

Regulamentação da Maconha é uma luta contra a descriminação ou contra a escravidão?

Se observarmos a cultura que herdamos dos tempos da escravidão ela ainda permeia em diversos setores da nossa sociedade.  Segundo Luísa Gonçalves Saad em sua dissertação "Fumo de negro” a criminalização da maconha no Brasil esteve associada à criminalização das práticas culturais de seus usuários, como foi o caso dos cultos afro-brasileiros como o candomblé , e constituía, assim, um dos empecilhos à modernização e ao progresso, uma vez que seus usuários tenderiam a adquirir comportamentos violentos, imorais ou insanos. E isso até hoje não mudou .
    Como reza a lenda , a história se repete, e ninguém hoje em dia está interessado em saber se Israel usa maconha nos hospitais , asilos; Ou se maconha cura o câncer de Charllote Web ou de Maria Antonia. Até que um dia ela seja vitimada com uma enfermidade e venha a ser curada ou atenuada com os efeitos dessa planta. Somente ai, a pessoa muda de opinião.  Foi assim que os negros conquistaram os brancos, com sua cultura avançada enraizada nos costumes naturais, místicos e humildes que curava até o ataque epiletico do Patrão ou curava o enjôo da Sinhá.



Na cabeça da maioria dos Brasileiros o estimulo ao debate é apologia as drogas. Esse pensamento é devido a 2 gerações antes da nossa que carregaram e transmitiram o mesmo espirito de escravatura , de que estamos falado de algo mal , estimulando a violência , imoral e sendo considerados como loucos ! 

Por isso não vemos políticos debaterem nem abraçarem a bandeira da legalização afinal não dá voto ficar com a minoria , é imoral e vão dizer que o politico ficou louco!  

Foi ai que eu percebi que a regulamentação e legalização da Cannabis realmente pode trazer uma mudança drástica em nossa cultura , rompendo com paradigma da escravatura onde o Senhor Feudal teve que libertar seus escravos que antes eram oprimidos , maltratados e enjaulados nas senzalas e queriam apenas cultuar suas musicas , cultura religiosas e fumar sua Gambia ! 

Estamos nos libertando das grades do sistema escravocrata de outrora.  Não estamos lutando para liberação de droga nem para a regulamentação de uma plantinha.  A luta é de  escravos contra senhores, barões , a burguesia que associada a lideres religiosos mantinham as praticas mais desumanas que a historia pôde registrar.  Nossa luta é contra um sistema que nem aceitava direitos das mulheres, com direito a voto, muito menos que um negro pudesse ser dono de seu destino. 

Graças a Rodrigues Dória e Cesare Lombroso, médico e professor universitário considerado os fundadores da Escola Positiva de direito penal, um dos maiores responsáveis pelo proibicionismo da maconha em uma de suas opiniões sobre o voto feminino repercutindo mal entre as ativistas feminina da época fizeram Dória revê suas posição;
  “fizeram-me arrefecer na minha opinião, parecendo-me que, ou por defeito de organização e temperamento, ou por deficiencia de educação, ainda não attingiram a superioridade intellectual e moral para o exercicio das funcções politicas”. O “defeito de organização e temperamento” a que Dória se refere diz respeito à disposição biológica feminina, interpretada pelos autores da época como inferior a do homem, deixando- a mais fragilizada e suscetível a ataques histéricos, por exemplo. O objetivo principal deles era a manutenção da moral, da família e da saúde dos “homens de bem” relegando tudo que fosse contra essa ideologia como algo do mal e inferior!

Mas é essa a mesma ideia que vemos hoje, não obstante dos ideias escravocratas, descriminatorios, fundamentalistas de antigamente. Observe os argumentos dos opositores de agora  são os mesmo argumentos do passado, sem nenhum embasamento cientifico, mas somente, baseado na cultura do medo, da moralidade , da família e da saúde dos Homens "de bem ". 


  Então o que precisamos para mudar a mente dos nossos senadores , deputados e opositores ? Talvez lembra-los que a abolição foi proclamada , que as mulheres ja podem votar , que os negros são uma cultura forte e que nosso pais é um pais pobre e não podemos viver em uma cultura escravocata proibicionista porque apenas não é mais o caminho.   O caminho é da permisibilidade , da convivência entre opostos, da tolerância entre classes e raças e do controle estatal das ações dos indivíduos, mas nunca, das escolhas desses indivíduos; Afinal, cada um escolhe a cultura que quer, o remédio que convier , o parceiro que escolher , o time que desejar. E por ultimo, jamais devemos desistir de lutar, pois se eles conseguiram uma abolição no Brasil depois de tanta luta, tantas mortes  é chegada a hora de uma SEGUNDA abolição que será agora proclamada com a regulamentação da Má(conha) ou seria melhor dizer Boaconha? 
Viva ao abolição dos balaiados Maconheiros 

 Cassiano Gomes
Estudante de Direito - Ativista da regulamentação da Cannabis!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Reféns do bolsonarismo: artigo no professor Conrado Hübner Mendes no Estado de São Paulo

Reféns do bolsonarismo: artigo no professor Conrado Hübner Mendes no Estado de São Paulo

ONRADO HÜBNER MENDES - O Estado de S.Paulo O Brasil tem assistido a surtos agudos de primitivismo político. O fenômeno não é de direita nem de esquerda, não é de oposição nem de situação, não é conservador nem progressista. Merece outro adjetivo porque não aceita, por princípio, a política democrática e as regras do jogo constitucional. Esforça-se em corroê-las o tanto quanto pode. Não está disposto a discutir ideias e propostas à luz de fatos e evidências, mas a desqualificar sumariamente a integridade do seu adversário (e, assim, escapar do ônus de discutir propostas e fatos). Cheio de convicções, é surdo a outros pontos de vista e alérgico ao debate. Não argumenta, agride. Dúvidas seriam sinais de fraqueza, e o primitivo quer ser tudo menos um fraco. Suas incertezas ficam enrustidas no fundo da alma. Há muitos exemplos desse surto. Aos interessados num curso relâmpago sobre essa patologia, serve qualquer entrevista de um folclórico deputado do PP que há pouco mobilizou o seu partido para pleitear, sem sucesso, a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (ver YouTube). Ao ser perguntado sobre os seus projetos para o cargo, dispara: "A minoria tem de se calar e se curvar à maioria!". E continua: "Não podemos estimular crianças a serem homossexuais". Para ele, "não somos nós que temos de respeitar homossexual, eles é que têm de me respeitar". "Vagabundos", pondera ainda, deveriam "pagar por seus pecados". Por isso, os presídios brasileiros seriam "uma maravilha" e o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, onde alguns presos foram decapitados semanas atrás, "a única coisa boa do Maranhão". Dessa amostra se pode deduzir o que pensa o deputado sobre tantos outros temas. Ele sabe para quem está falando e por qual breviário deve rezar para se eleger. Suas frases de efeito imoral são combustível para toda sorte de recalque homofóbico, sexista, racista, elitista, policialesco, enfim, para todo o arsenal de recursos opressores estocados na cultura brasileira. A filosofia da discriminação dá voto. Invocada com raiva e fé, ainda elege e reelege. O parlamentar do PP é a expressão mais caricata, se não repugnante, do primitivismo. Fosse apenas um lembrete pedagógico de um país que um dia existiu, ou representasse só um reduto de filhos bastardos da ditadura, não causaria maior dor de cabeça. Mas quando notamos que ele é somente a versão mais antipática de um Brasil que ainda nos espreita da esquina, ou de uma mentalidade que continua a se manifestar nos jornais, na família e no trabalho, é sinal de que o confronto não pode ser evitado. Há muito em risco para ficar em silêncio. Onde erra o bolsonarismo? Essa não é uma pergunta retórica. A resposta, afinal, nem sempre está na ponta da língua daqueles que rejeitam, por instinto ou convicção, essa visão de mundo. Construir uma resposta robusta, por todos os ângulos possíveis, é um esforço indispensável para deixar claro o que está em jogo. Incomodam ao bolsonarismo os padrões de decência política, os direitos fundamentais e os compromissos de mudança social pactuados pela Constituição de 1988. Esse pacto constitucional, entretanto, é um ponto de partida inegociável e não está aberto a reconsideração. Se pensa que nem todos merecem direitos, não entendeu bem o que são direitos. Fala em direitos, mas pensa em privilégios. Se quer ser um servo da maioria, não aprendeu bem o que é democracia, mas definiu perfeitamente a tirania. Se acha que a parada gay deve ser respondida com a marcha dos heterossexuais, não entendeu nada mesmo. Que o seu repertório de ideias fixas constitui uma brutalidade moral e uma aberração jurídica, isso não é mais novidade. Antes disso, porém, trata-se de um monumento de desonestidade intelectual. Ignora as abundantes provas sobre a motivação homofóbica de centenas de crimes de ódio anualmente praticados por todo Brasil. Ignora a relação causal, já demonstrada por tantos pesquisadores nacionais e estrangeiros, entre o encarceramento em massa e o agravamento da violência. Prisões brasileiras há muito não cumprem suas funções publicamente anunciadas - prevenção, dissuasão, ressocialização. Poucos se dão conta, contudo, de que prisões cumprem perigosas funções extraoficiais, e elas invariavelmente agradam ao primitivo: o incentivo à demagogia, a repressão da pobreza, o endurecimento da violência estatal. Isso já é saber convencional nas ciências sociais, mas a política mostra-se impermeável a essas velhas constatações. Um dos desafios para a sobrevivência da democracia é alijar as ideias que atacam a sua própria condição de existência. E como alijá-las sem suprimir a liberdade de expressão? Há pelo menos dois caminhos complementares. Primeiro, pela construção e manutenção de uma esfera pública vigilante que defenda e rotinize práticas democráticas, algo que depende da educação política praticada por escolas, jornais, instituições culturais, organizações não governamentais (ONGs), etc. Práticas que seriam facilitadas, por exemplo, pela multiplicação de espaços públicos nas cidades, onde se possa conviver com a diferença e apreciar a pluralidade brasileira. Segundo, por meio de líderes que não se acuem diante da baixa política, que tenham coragem de arriscar seus cargos em defesa de certos princípios e tenham grandeza para fazer alianças com aqueles que, mesmo adversários, compartilham esses princípios. Quando o medo da derrota eleitoral sequestra essas lideranças, que em silêncio desidratam seus projetos de implementação de direitos e promoção da igualdade, o alarme passa a tocar. PROFESSOR DE DIREITO CONSTITUCIONAL DA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, É DOUTOR EM DIREITO PELA UNIVERSIDADE DE EDIMBURGO (ESCÓCIA) E DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA PELA USP

Fonte: Jornalista Toncá Burity 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A intolerância de Marisa Lobo está a serviço da família ou a serviço do tráfico e do crime organizado?

Marisa Lobo, caso o leitor não saiba, é uma militante evangélica neo-pentecostal que, em 1995, concluiu o curso de psicologia pela universidade Tuiuti do Paraná e hoje, se auto-intitula “Psicóloga Cristã”
A “Psicóloga Cristã” ficou famosa nos últimos anos devido a sua perseguição implacável contra os direitos adquiridos pelos homossexuais e aos usuários de maconha. Esta perseguição intransigente quase lhe custou o registro no Conselho Federal de Psicologia, onde a moça está sendo acusada de racismo, homofobia, além da acusação de utilizar seu título de psicóloga com a finalidade de fazer pregações religiosas.
No final de abril, a “Psicóloga Cristã” anunciou sua filiação ao PSC (Partido Social Cristão), a mesma legenda de proeminentes figuras controversas da política nacional como o Pastor Marco Feliciano presidente da Comissão de direitos Humanos e Minorias da Câmara dos deputados e Ratinho Jr. o secretário estadual do Desenvolvimento Urbano do governo Richa e dep. Federal Licenciado. A “Psicóloga Cristã” aproveitou a oportunidade para lançar sua Candidatura ao Cargo de Deputada Federal nas eleições de outubro de 2014. Nas palavras dela: “Estou pronta para, se for a vontade de deus, ser sim uma parlamentar em 2014.”
E onde o Polaco Doido quer chegar com isso?
Nosso amigo André Feiges, foi convidado para debater o tema “Legalizaçãoda Maconha” no programa de TV, Tribuna da Massa. O debate ocorreu hoje, o outro convidado, no papel de defensor das atuais políticas de proibição, era ninguém menos que, Marisa Lobo, A “Psicóloga Cristã.”
Acho que nem preciso escrever aqui que um verdadeiro circo foi criado, muito mais para dar visibilidade à “Psicologa Cristã” e virtual candidata ao cargo de deputada federal pelo PSC em 2014, do que para debater o tema. Mas por desencargo de consciência…
A “Psicologa Cristã” é filiada ao PSC. O programa Tribuna da Massa é transmitido pela rede Massa. A rede Massa pertence ao pai de Ratinho Jr. ex-candidato a prefeito de Curitiba, secretário de Richa e deputado eleito pelo PSC em 2010.
O debate restringiu-se quase que exclusivamente às opiniões da “Psicóloga Cristã.” Feiges teve que se esforçar muito para tentar expor seus pontos de vista e com muito jogo de cintura, obteve sucesso nessa tarefa.
Infelizmente, o que mais chamou a atenção foi a completa falta de respeito e educação da “psicóloga Cristã” durante o debate e seus argumentos em defesa da atual política de proibição, carregados de idéias pré-concebidas, ignorando completamente dados obtidos através de métodos científicos e abusando de técnicas de retórica comumente utilizadas em embates religiosos.
Fica muito claro que a experiência da “Psicóloga Cristã” em ralação ao assunto maconha, resume-se a suas conversas com ex-viciados em outras drogas, hoje salvos, cantando louvores e distribuindo ofertas em templos neo-pentecostais e em sua experiência em clínicas para tratamento de dependentes químicos.
A “Psicóloga Cristã” precisa urgentemente se libertar da bolha religiosa que a prende, remover a trave de seus olhos, antes de dar pitaco sobre os ciscos e remelas nos olhos dos outros.
É claro que existem pessoas que se perdem no mundo das drogas, mas como 99 entre cada 100 pessoas que tomam suas cervejinhas regulamentares nunca vão precisar buscar tratamento no AA. 99 entre cada 100 usuários de maconha, nunca vão precisar partir para drogas mais pesadas para satisfazer suas necessidades.
Com a regulamentação do cultivo, comércio e consumo da maconha, serão criadas regras que limitarão a venda e o consumo somente para maiores de 18 anos ou mais. Isso já foi feito com o tabaco e o álcool e o uso destas substâncias entre os menores de idade é cada vez menor.
Além disso, a descriminalização do consumo da maconha já é uma realidade. Ninguém vai para cadeia por causa de um baseadinho. Porém, para conseguir esse baseadinho, o usuário precisa comprá-lo de um traficante em um ambiente carente de segurança e sem ter nenhuma garantia a respeito da origem ou qualidade deste produto.
Ora, se a maconha representa 80% do total da drogas consumidas no país, seu consumo é descriminalizado, mas a produção e o comércio são proibidos. Não é a lei que está  contribuindo com a prática ilícita do tráfico, com a “profissão” de traficante e toda a violência decorrente desta prática?
“Psicóloga Cristã,” apesar de todos estes anos de proibição e repressão ao consumo de maconha, o número de usuários é cada vez maior e cada vez mais usuários precisam procurar um traficante para adquirir sua erva. Será que esta sua postura intransigente com relação ao tema, não privilegia muito mais o comércio ilegal, o tráfico  e o crime organizado, do que os jovens e as famílias que você diz defender?  
Pensa nisso e Confira os vídeos do debate na rede Massa.
http://www.youtube.com/watch?v=8RZ8_CgplHo
http://www.youtube.com/watch?v=KRXYyYTAhqQ&feature=youtu.be

http://www.youtube.com/watch?v=4NTlr7K2FWY&feature=youtu.be


fonte: palaco doido

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Droga não é assunto do Direito Penal

Há monopólios de tabaco e álcool em muitos países. Em países como Suécia, Noruega, Finlândia, há monopólio de álcool e está funcionando – pelo menos não há guerras de gangues e milhares de mortos. As pessoas consomem, mas também há atendimento do sistema de saúde. Nunca vamos ter um sistema de consumo de drogas sem fatalidade. É preciso chegar aos problemas sérios, que às vezes são mentais e psicológicos. Esse problema da violência sem limites é artificial e pode ser evitado. É preciso ter uma visão mais clara, empírica e pragmática, tirar um pouco da ideologia. As pessoas têm o direito de fazer com as próprias vidas o que quiserem.”
Ele instigou os participantes do encontro teuto-brasileiro de política criminal, realizado no mês de julho, na cidade de Foz do Iguaçu, pela Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar). O criminólogo alemão Sebastian Scheerer, admirado por muitos após conduzir no ano de 2011 um curso em Hamburgo com a participação de magistrados paranaenses, também falou ao jornal paranaense Gazeta do Povo.
Encontro Teuto-Brasileiro de Política Criminal, realizado em Julho de 2012, em Foz do Iguaçú, pela AMAPAR - Associação dos Magistraedos do Paraná.
Na sua estada em Foz, durante o evento da Amapar, ele evidenciou o debate em torno da política das drogas. “Droga não é assunto do Direito Penal”, criticou Scheerer, como demonstrou o título que estampado no periódico paranaense. Simpático, humilde e orientador, o professor Sebastian Scheerer faz a magistratura refletir em torno de tabus que hoje permeiam debates em congressos, redes sociais e demais ambientes de política propulsora. “Em países da Europa, como também no Canadá e na Austrália, há uma tendência de ver a questão das drogas mais como problema social e menos como um problema do Direito Penal”, assegurou Sebastian.
Drogas e legislação
“A lei antidrogas é basicamente a mesma no mundo inteiro. Há legislações nacionais que se referem a convenções internacionais assinadas por todos os países do mundo. Há um espaço de manobra, ou seja, brechas pequenas, que alguns países utilizam mais do que outros. Por exemplo, em relação aos coffee shops da Holanda. Há 15 anos, o International Narcotics Control Boards, órgão das Nações Unidas, cita em seu relatório anual que a Holanda precisa voltar à legalidade porque assinou a convenção, a última delas realizada em 1988”
Combate
“A ideia da redução de danos não é recente, vem dos anos 80, 90, mas é algo muito lento, bem devagar. Nos países europeus há uma tendência de desdramatizar a questão, tendo em vista que, diferente do que pensávamos, as drogas não necessariamente levam à morte da pessoa. Tem pessoas que utilizam as drogas e não são diferentes das outras pessoas da sociedade. Elas têm família, trabalho e uma vida tão produtiva quanto a de outras pessoas. Então não precisa combater as drogas em um sentido eliminatório, como as convenções querem”
Estado de Direito
“Enquanto jurista, sempre vi uma contradição entre os princípios da legalidade e os princípios do Direito Penal no qual se diz que só se pode penalizar um ato que faz mal a uma outra pessoa. Se você só consome uma droga que pode fazer mal para você mesmo, é como eu comer muita manteiga e aumentar o colesterol e ter um piripaque…Mas isso não é coisa para Direito Penal. É informação para a saúde. E drogas, ao final das contas, deveriam ser mais um assunto para conselheiros de saúde, de informação, da saúde pública, da saúde da família. O instrumento do Direito Penal é para quem assassina, mata, fere a integridade do outro. É preciso diminuir os sofrimentos, os danos e ajudar as pessoas e não colocar milhares de pessoas na prisão onde irão piorar a saúde, a moral e ter um sofrimento desnecessário. E um Estado que cria um sofrimento desnecessário não é um Estado a serviço dos seus cidadãos. É um Estado a serviço de si mesmo, onde classes superiores querem ser livrar de classes baixas. Isto não é como deve ser o Estado de Direito. O Estado de Direito é de cada cidadão”
Drogas e crimes
“Não é que a droga instiga automaticamente a violência nas pessoas, muitas vezes os assassinos e integrantes do crime organizado não são necessariamente viciados, são homens de negócio, e o negócio deles tem uma particularidade, ou seja, o não acesso à justiça. Se você compra na Colômbia 10 quilos de cocaína e eles só te entregam cinco quilos, você não pode recorrer à justiça. Então para o mercado negro e o crime organizado que não têm acesso à justiça, só há um método, que é a vingança. Isso é uma questão de economia ilegal. Os norte-americanos pagam qualquer preço pela cocaína, uma droga barata na produção, mas com alto custo no consumo. Há muita concorrência entre grupos fornecedores e eles têm muitos conflitos resolvidos por meio da violência. Este tipo de situação já ocorreu na proibição do álcool, nos Estados Unidos. A máfia moderna nasceu porque o consumo e a importação de álcool foi proibido de um dia para outro. Mas os norte-americanos não pararam nem de importar, consumir ou distribuir. Tudo ficou no subterrâneo da vida ilegal e criou uma estrutura da máfia que mata. Isso acontece hoje no setor das drogas ilegais. Nos Estados Unidos, a tentativa de proibir o álcool fracassou. Eu acho que poderíamos salvar muitas vidas se alterássemos o mercado das drogas, da proibição para a regulação.
Descriminalização
“Descriminalizar o uso das drogas seria muito importante para o Estado de Direito, que seria um Estado de respeito à liberdade da pessoa que não contribuiria com a miséria. A produção e a distribuição precisam ser tiradas do mercado negro, ou por via do monopólio estatal ou por via da descriminalização. Eu estou estudando esses modelos e há muita gente pensando nisso. Só que ainda há muito preconceito”
Alemanha
“Nós temos aliviado bastante o problema, especialmente a demanda. Há uma distribuição via sistema de saúde pública. Os viciados recebem heroína, metadona. Já no mercado de maconha não há muito enfoque. De uma forma geral, não há muita repressão. Não é prioridade da polícia e da procuradoria reprimir. Há muito mais trabalhos sociais, centros de atendimento e esclarecimento sobre os riscos”
Fonte: Entrevista concedida a Rômulo Cardoso, editor da Revista Novos Rumos, publicação oficial da Associação dos Magistrados do Paraná e Judicemed, edição nº 176, 2012.

Fonte: ICPC

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Proposta de Descriminalização é lançada no Senado

A descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal permitirá que as secretarias de saúde dos municípios criem programas de redução de danos eficientes, como os de uso assistido e substituição, para tratar pessoas que fazem uso problemático de crack, já em prática em países europeus e no Canadá. Outro efeito positivo é o de que a polícia economizará esforços e dinheiro, desperdiçados atualmente na detenção de usuários, para concentrar-se na resolução de crimes realmente relevantes. A descriminalização vai proteger o consumidor de drogas da violência policial. 

Descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal e o reconhecimento da inconstitucionalidade do Art. 28 da Lei 11.343 de 2006.
A lei de drogas criminaliza conduta que não extravasa a vida privada do cidadão. O Art. 28 da lei fere o inciso X do Art. V da Constituição Federal, que garante como invioláveis a intimidade e a vida privada. Se o cidadão ofende tão somente bens jurídicos pessoais, não há crime.
PLC 37/2013 (Emenda Supressiva ao Art.28 da Lei 11.343/2006)
Professores e Pesquisadores de Direito Penal
Agentes da Lei Contra a Proibição
Profissionais de Saúde na Área de Redução de Danos
Usuários de Cannabis Medicinal ou outras drogas

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Assine já a proposta de regulamentação da maconha no site do Senado Federal

O MÍNIMO que você pode fazer pra ajudar a legalizar a maconha no Brasil é assinar e participar de manifestos virtuais pró-canábis. Então agora é hora de sair da toca e assinar esse documento que está disponível no portal e-Cidadania, do Senado Federal. A proposta popularde projeto de lei prevê legalizar a maconha para usos recreativo, medicinais e industriais.
A proposta precisa de 20 mil assinaturas para ser apreciada pela Comissão de Direitos Humanos da casa. Até o momento, quase 13 mil pessoas já assinaram, então JUNTE-SE A NÓS! “É importante destacar, pois, que se trata de proposta de projeto de lei ou de emenda à constituição. Ficará a juízo dos Senadores a conversão da ideia em proposição, bem como sua posterior aprovação ou rejeição”, explica André Kiepper,  Analista de Gestão em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, responsável pelo encaminhamento da ideia no portal.
Clique aqui para acessar a proposta de regulamentação. Basta preencher os campos NOME, E-MAIL e CÓDIGO DE VALIDAÇÃO e clicar em EU APOIO. Na sequência, CONFIRME sua participação clicando no link do e-mail enviado para o endereço preenchido. 
Legalização da maconha no Brasil: cultive essa ideia!

Califórnia mostra experiência positiva após legalização da maconha

Num momento em que a maconha medicinal e recreativa se tornou legal no Uruguai e está para ser legalizada nos estados do Colorado e de Washington, a experiência de 17 de anos de legalidade medicinal na Califórnia pode servir como uma previsão dos impactos. Primeiro estado a legalizar a droga, os resultados são surpreendentes.
Embora a lei na Califórnia aplique-se apenas às pessoas que têm uma necessidade médica para maconha, como glaucoma ou câncer, os requisitos para obter o cartão de compra da droga são notoriamente negligenciados. Os médicos podem recomendar o seu uso para doenças tão comuns como insônia e dores de cabeça. A maconha na Califórnia, tornou-se quase tão culturalmente aceita que, em algumas partes do estado, é quase tão amplamente utilizada quanto o álcool.

As advertências contra a legalização da maconha se mostraram infundadas. As preocupações incluíam medo de desordem cívica, a não diminuição do uso da maconha ilegal, pelo preço ser menor e o aumento drástico no uso de outras drogas. Não há evidências de que seu uso pelos adolescentes tenha aumentado desde a legalização, em 1996. Outra questão é que mesmo com impostos sobre a maconha legal, as pessoas preferem pagar mais caro. Provavelmente pela maior facilidade de acesso e pela melhor qualidade.
Segundo um estudo de dois economistas do  The Journal of Policy Analysis and Management, as indicações é que nos estados onde a droga é legalizada, os adolescentes e jovens fazem mais uso dessa substância do que do álcool. Para os pesquisadores, isso vai reduzir os maiores males provocados pelo abuso da substância: mortes e sequelas de acidentes de trânsito.
Mark A. R. Kleiman,  professor da Universidade da Califórnia alega que, se a maconha realmente substitui o álcool, isso seria um ótimo argumento para sua legalização.  ”O álcool é um problema muito maior do que a maconha”.
Outro dado que a Califórnia pode mostrar é que, com a legalização e a competição, a qualidade da maconha nunca foi tão boa. O índices de THC, ingrediente ativo da maconha, passaram de 6% para 25%. A competição também abaixa o preço e cria novas oportunidades de mercado através de produtos inovadores que tenham a maconha como base, como  bolos ou óleos comestíveis. É uma nova indústria que pode surgir e gerar dinheiro local e legal.
Os maiores problemas no estado envolvem o plantio. Cada usuário que usa a planta de forma medicinal pode plantar até 25 pés, e isso tem causado problemas com os vizinhos sobre o cheiro. Durante o período de plantação, especialmente durante abril e outubro, reclamações desse tipo ficam em primeiro lugar na lista da polícia.